Observação importante

O objetivo do Blog não é acusar ou perseguir compositores, tampouco os intérpretes das músicas aqui analisadas. O objetivo é avaliar que tipo de afirmações estão sendo proferidas em nossos púlpitos e lares cristãos, seguindo a linha de raciocínio dos crentes bereanos (Atos 17:11) e os conselhos de Paulo (1 Ts 5.21; Hb 13.9) e João (1 João 4.1). Todas as análises são de responsabilidade de seus autores e críticas são bem vindas, desde que não venham acompanhadas de ofensas, mas de paz. Se desejar, leia aqui um artigo sobre algumas considerações sobre música e culto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Música: Alguem Como Eu (Luiz Arcanjo)


*Pedido de Eder Barbosa (Via Blog)

Letra:

Entra Mestre,descansa um pouco
Estás cansado,estás sedento e rouco
Dorme Mestre, a casa é Tua
Já fechei porta e janela pra rua

Deixou me falando só
Dormiu tão pesado fazia dó
Como será Mestre este sonho Teu?
Sonhas como homem? sonhas como Deus?
Sonhas com a glória que tinhas com o Pai, na luz?
Ou sonhas com a cruz?

Perdoa Mestre, mas já é hora
Uma multidão te espera lá fora
Estás decidido, não te detenho
Vais curando até chegar ao lenho

Partiu,fica a paz em mim,
Fica sala com cheiro de jasmim
Vai verter a vida do corpo Seu,
Pra levar a culpa de alguém como eu,
Pra lavar o sujo do meu próprio eu,
Levar-me puro a Deus


Análise:

Quando ouvi esta canção pela primeira vez confesso que fiquei relutante. É uma característica minha desde antes de criar este Blog de análises, eu sempre fico avaliando a letra quando ouço uma música pela primeira vez.

Especialmente quando ouvi a expressão “dormiu tão pesado que fazia dó” eu pensei: “Ué, de que Jesus estamos falando? Do Jesus que detém todo o poder?”. Me pareceu um rebaixamento para o nosso Senhor.

Mas depois pude perceber que na verdade esta canção retrata um Jesus humano, em conformidade com Aquele que se entregou para morrer a nossa morte, quando habitou conosco nesta terra, um Jesus que muitas vezes esquecemos que existiu:

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hb 4:15)

Podendo ele compadecer-se devidamente dos ignorantes e errados, porquanto também ele mesmo está rodeado de fraqueza.” (Hb 5:2)

Desta maneira, em forma de canção e em versos simples, o autor fala do mesmo Jesus, o nosso amado que suportou todas as tentações que nós enfrentamos, porém, diferentemente de nós, sem pecar e, por causa disso, lindamente esposto na última estrofe, recebeu todo o poder para lavar com seu próprio sangue pecadores sujos como cada um de nós, tornando-nos filhos seus, eternamente habitantes do Reino de Deus.

A música é ótima e é sempre bom lembrarmos que Jesus abriu mão de sua divindade para, tornando-se igual a nós, nos reconciliar com Deus através de sua morte. Um Jesus simples, como simples é o seu Evangelho...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Música: Digno é o Senhor (Aline Barros)


*Pedido de Guilherme

Letra:

Graças eu te dou Pai
Pelo preço que pagou
Sacrifício de amor
Que me comprou
Ungido do Senhor

Pelos cravos em tuas mãos
Graças eu te dou, ó meu Senhor
Lavou minha mente e co-ra-ção
Me deu perdão

Restaurou-me a comunhão

Digno é o Senhor
Sobre o trono está
Soberano,criador
Vou sempre te adorar
Elevo minhas mãos
Ao Cristo que venceu
Cordeiro de Deus morreu por mim
Mas ressuscitou
Digno é o Senhor


Análise:

Esta canção é mais um exemplo da verdadeira expressão de adoração. Eu poderia até mesmo dizer que ela é uma parafrase da bíblia em versos rimados, tanta é a quantidade de verdades bíblicas contidas nela, expressando elementos de louvor e adoração genuínos.

Expressões de louvor como “Graças te dou pelo preço que pagou (I Co 6:20)” e “elevo minhas mãos ao Cristo que venceu (Jo 16:33)”, se misturam com afirmações de adoração a exemplo de “Digno é o Senhor, sobre o trono está Soberano (Mt 28:18)”.

Apenas para ficar claro, louvor, por definição, refere-se a honrar a Deus por aquilo que Ele fez, já adoração é quando eu o exalto por aquilo que Ele é. Estas duas coisas estão presente absolutamente em toda a letra desta música.

É importantíssimo considerar ainda a temática evangelística desta canção, uma vez que Deus está sendo exaltado pela Obra que Cristo realizou na Cruz, sacrificando-se por amor, dando-nos perdão e restaurando nossa comunhão consigo mesmo, o que a torna totalmente diferenciada da maioria das composições “de sucesso” no meio evangélico de nossos dias, onde falta adoração, falta evangelho e sobram promessas vazias e subtraídas de sentido.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Música: Sabor de Mel (Damares)

*Pedido de Weverton (Via Blog)

Letra:

O agir de Deus é lindo
Na vida de quem é fiel
No começo tem provas amargas
Mas no fim tem o sabor do mel
Eu nunca vi um escolhido sem resposta
Porque em tudo Deus lhe mostra uma solução
Até nas cinzas ele clama e Deus atende
Lhe protege
Lhe defende
com as suas fortes mãos
Você é um escolhido
E a tua história não acaba aqui
Você pode estar chorando agora
Mas amanhã você irá sorrir.

Deus vai te levantar das cinzas e do pó
Deus vai cumprir tudo que tem te prometido
Você vai ver a mão de Deus te exaltar
Quem te vê há de falar
Ele é mesmo escolhido.

Vão dizer que você nasceu pra vencer
Que já sabiam porque você
Tinha mesmo cara de vencedor
E que se Deus quer agir ninguém pode impedir
Então você verá cumprir cada palavra
Que o Senhor falou,

Quem te viu passar na prova
E não te ajudou
Quando ver você na benção
Vão se arrepender
Vai estar entre a platéia
E você no palco
Vai olhar e ver
Jesus brilhando em você
Quem sabe no teu pensamento
Você vai dizer
Meu Deus como vale a pena
A gente ser fiel
Na verdade a minha prova
Tinha um gosto amargo
Mas minha vitória hoje
Tem sabor de mel.

Tem sabor de mel
Tem sabor de mel
A minha vitória hoje
Tem sabor de mel.


Análise:

Não é por acaso que esta canção se tornou o novo hit gospel do momento, pois ela trata exatamente do que boa parte da igreja evangélica busca hoje em dia. Não, não estou falando de Jesus, santidade ou cruz e sim de vitória e conquista. Eis o segredo para quem deseja o sucesso no meio gospel ultimamente.

O motivo da crítica não é pela suposição de que as “vitórias” não estão nos planos de Deus para nossas vidas, mas que nem de longe este fato trata-se da ênfase do Evangelho de Cristo. O evangelho realça a cruz, a renúncia, a santidade e a necessidade de salvação para a vida de todo ser humano e isso sim é a vitória verdadeira. Todo e qualquer outro modelo de vitória trata-se de um assunto periférico. Vamos então à análise desta canção:

A música inicia-se fazendo considerações baseadas, especialmente, em Salmos 30:5.

"Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".
A respeito disso nenhuma crítica poderia expressar, pois se trata de uma verdade bíblica que deve ser ensinada continuamente.

Porém, como de costume, não analisarei a canção frase a frase, antes a considerarei como um todo e, dessa forma, as verdades expressas em seu contexto geral. É exatamente ai que se iniciam os problemas.

O tema central, obviamente, é a vitória daquele que é fiel, isto fica bem claro durante toda a canção. Apesar de vitória não ser a ênfase do Evangelho, não posso questionar o fato de ela existir, entretanto é essencial entendermos que ela não pode invalidar outras verdades bíblicas, outros conceitos cristãos e é exatamente isto que acontece, senão vejamos:

Quem te vê há de falar Ele é mesmo escolhido

Vão dizer que você nasceu pra vencer, que já sabiam porque você tinha mesmo cara de vencedor

Vai estar entre a platéia e você no palco

A começar da segunda estrofe, inicia-se um processo de exaltação do ser humano, como se ele possuísse algum mérito em tudo que faz. Estas passagens são chaves para a introdução desta doutrina disfarçada de piedade, pois, em especial esta última frase, demonstra algo totalmente desfocada daquilo que o Evangelho espera dos filhos de Deus.

A figuração entre platéia e palco não significa outra coisa que não seja exaltação ao homem. Além disso é possível perceber uma certa inclinação para a proposta que grosseiramente chamarei de “esfregar na cara”, que acontece justamente no contexto imediatamente anterior da frase em questão:

Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender

Em contraposição, a bíblia ensina que:

Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”. (Gl 1:10)

Sinceramente não vejo propósito algum nesta afirmação, pois Deus não nos livra das provações para que outros vejam e sintam-se envergonhados, mas porque o propósito dEle já foi alcançado. Não existe a necessidade de provar ou de “esfregar na cara” dos irmãos as nossas vitórias. Quanto aos conceitos que me referi anteriormente, de exaltação do ser humano, a ponto de ser mencionado na letra desta música a relação platéia e palco, vejamos o que a bíblia diz:

Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva”. (Mc 10:43)

É necessário que ele cresça e que eu diminua”. (Jo 3:30)

Como podemos perceber, não é exatamente num palco, para ser aplaudido pelos irmãos, que Jesus espera nos colocar, antes é na posição de servos uns dos outros. A relação divina correta é: quanto mais humilde, maior no Reino de Deus, quanto mais exaltado pelos homens, menor no Reino de Deus. Ora, o próprio Jesus homem afirma ser necessário se humilhar, ser o menor de todos, para que nEle, Deus cresça.

Creio não ser necessário análises adicionais, pois o contexto desta canção está bem claro.

Deus abençoe a todos e nos ensine a nos esvaziar de nós mesmos...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Música: Deus Supremo és (Corinhos Evangélicos)



Letra:

Deus supremo és,
Soberano em glória.
És incomparável(maravilhoso), em Tua formosura.
És incomparável(maravilhoso), em Tua majestade

Não há outro Deus, como Jeová;
Não há outro Deus, além do Senhor.
Não há no céu, não há na terra,
Não há no mar, Deus como o Senhor

Deus supremo és,
Soberano em glória.
És incomparável(maravilhoso), em Tua formosura.
És incomparável(maravilhoso), em Tua majestade

Não há outro Deus, como Jeová;
Não há outro Deus, além do Senhor.
Não há no céu, não há na terra,
Não há no mar, Deus como o Senhor


Análise:

Esta canção é uma declaração de amor em forma de exaltação. Ela é a exata imagem do que eu chamo de “expressão de louvor”, absurdamente diferente daquelas que acabam sendo reprovadas neste blog. Basta uma leitura superficial para perceber isso.

Em momento algum desta canção o homem aparece exaltado, vencedor ou conquistador, pois apenas o Eterno e Soberano Deus possui estas características, lindamente ditadas em verso nesta canção.

Eu precisaria citar a bíblia inteira para demonstrar como cada frase, cada expressão, cada verdade aqui é concordante com tudo o que está revelado a respeito de nosso Grande Deus, mas acredito que basta repetir uma única frase para uma aprovação com louvor:

Não há outro Deus, como Jeová!

OBS.: Infelizmente letras como esta são pouco comentadas neste Blog, pois muitos preferem criar embates e ofensas ao defender canções alheias à verdadeira adoração do que debater sobre a importância para a formação cristã de canções como esta. Espero que um dia este quadro se transforme.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Música: Te amo tanto (Paulo César Baruk)



Letra:


Palavras não podem expressar
O que sinto em meu coração
Nem mesmo as notas das canções,
Lhe mostrarão o que há em meu ser.

Pode o sol escurecer e a terra estremecer,
Eu não vou te deixar...
Nada pode apagar o que o tempo escreveu,
Dentro de mim

Te amo tanto Senhor,
Te quero tanto meu Deus...
Eu te amo tanto Senhor
Eu te quero tanto meu Deus...

Análise:

Esta canção é um excelente exemplo de que não precisamos de letras complexas ou de arranjos espetaculares para se expressar adoração ao Senhor. Outro fator interessante contido nela é que, para adorar, não se faz necessário parafrasear a bíblia, o que não exime da necessidade de manter consistência entre o que se canta e o que a bíblia ensina como verdade.

Na primeira estrofe, com palavras simples e poéticas, o autor relata um verdade eterna. Nada se compara ao amor que Deus faz brotar em nossos corações e isso não pode ser completamente expresso apenas em palavras e canções.

"A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível". (Efésios 6:24)
A letra continua, na segunda estrofe, demonstrando que, além de não ser possível conceituar este amor, ele também não pode ser apagado, como Paulo afirma, “nada pode nos separar do amor de Deus”, e aqui o autor toma o mesmo conceito para o ser humano, uma vez que sabemos que àqueles que foram de fato restaurados e se tornaram novas criaturas, esse amor não pode ser desfeito, antes é um caminho sem volta. O problema deste conceito é que hoje em dia achamos que qualquer um que frequenta uma igreja e canta uma canção gospel é filho restaurado de Deus, o que na prática verificamos não ser realidade, causando dúvidas quanto ao fato de alguém ser ou não transformado definitivamente.

"Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus". (Romanos 6:10)
Por fim a canção encerra fazendo a mais simples de todas as declarações de amor: “Te amo tanto Senhor”. E como temos motivos para cantar isso!

As perguntas que ficam é: por que não fazemos isso sempre? Por que trocamos adoração por declarações de vitória e conquista? Se não fizermos este tipo de declaração seremos menos vitoriosos? Ou a vitória vem para aqueles que amam e adoram o Senhor continuamente, em palavras e em vida?

Responda para si mesmo...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Música: Enquanto eu chorava (Fernanda Brum)


Letra:

Quanto eu chorei derramado
Aos Teus pés
Quanto eu clamei meu Senhor
Na adoração que eu fazia
Em meio à dor
O Teu coração me ouviu

Muitos não entendiam
A razão de eu insistir assim
É porque eu sentia que Deus de mim cuidava
E em mim gerava um sonho bom
Bem maior

Quando eu chorava
E me derramava
Deus livrou-me da amargura
E liberou o milagre
Alta madrugada
Fui agraciada
Eu vi Tua mão agir
Teu zelo e Teu amor por mim

Aprendi que tudo belo Tu fazes em seu tempo
Toda afronta e humilhação
Não se comparam com a glória que há de ser revelada a mim

Análise:

Esta música trata-se de um testemunho do socorro de Deus a seus filhos, e como tal se atém a descrever a experiência pessoal da pessoa socorrida.

Porém, diferente de canções como “Ziguezagueando”, onde seus defensores afirmam se tratar também de um testemunho pessoal (vide comentários), esta música não foge dos conceitos bíblicos, afirmando fatos desconexos da Palavra de Deus como o faz aquela.

A idéia central, pelos menos a que, pessoalmente, identifiquei, refere-se ao fato de ser essencial permanecer adorando e suplicando a Deus, mesmo quando estamos passando por momentos dificeis. A expressão “Na adoração que eu fazia, Em meio à dor” retrata bem isso, e em seguida a canção nos mostra que a consequência de tais atitudes é “O Teu coração me ouviu”, perfeitamente em harmonia com o que a bíblia fala sobre este assunto:

"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia". (Sl 46:1)

"A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua. Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido; mas, na verdade, Deus me ouviu; tem atendido à voz da minha oração". (Sl 66:17-19)
Outra passagem que me chamou atenção foi a última estrofe, onde o compositor não nega que seja possível passarmos por “afronta e humilhação”, assim como passaram grandes homens de Deus na história, em especial os Apóstolos, mas que, embora isso aconteça, nada pode ser comparado ao que Jesus tem preparado para nós, pois nem a morte poderá nos separar deste tão grande amor. Esse entendimento é perfeitamente cristão, defendido pelo Evangelho:

"Quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, (...) Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; (...) Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou". (Rm 8.35-37)

"Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam". (1Co 2.9)
O meu entendimento passa por esta questão, nossas músicas e pregações devem expressar verdades bíblicas, independentemente da função que o compositor/pregador pretende para elas, assim como acontece com esta canção.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Música: Última Chance (Ministério Ipiranga)

*Pedido de Junior Melo (Via Blog)

Letra:

Uma chance igual a essa
Talvez eu não tenha mais
Quero estar em Tua presença,
Nem que seja a última vez
Se tiver que gritar, eu gritarei
Se tiver que chorar, eu chorarei
Se tiver que humilhar o meu espírito
Assim o farei, me dá mais uma chance

Eu quero nascer do Teu Espírito
Eu quero matar a minha carne
Fazer Tua vontade, doce Espírito
Que a minha vida seja Tua vida,
Jesus...


Análise:

Se esta música se resumisse apenas ao refrão seria, com certeza, uma das mais belas compostas por esta geração. E falo isso de forma geral, pois tanto a melodia, quanto a harmonia e a letra desta seção são excelentes.

Tudo o que a Igreja precisa pode ser resumida com estas frases. Precisamos nascer de Deus (João 1:13), mortificar nossa carne negando a nós mesmos (Romanos 8:13 e Mateus 16:24), fazer a vontade de Deus (Mateus 7:21) e sermos seus servos (Romanos 6:22), pertencentes a Cristo (I Pedro 2:9). Tudo aqui é perfeito, mas infelizmente ela não se limita apenas ao refrão.

Mesmo acreditando que a intenção do compositor não foi apresentar um Cristo diferente daquele revelado na Escrituras, a primeira parte da canção comete este grave erro.

Deus nos ama independentemente de qualquer coisa que façamos. Ele nos ama ao ponto de entregar seu filho  Unigênito ao sofrimento e à morte de cruz, para que pudéssemos ser salvos e, para que isso aconteça, temos não apenas uma ou duas, mas todas as chances que precisarmos, pois o amor de Deus não encontra barreiras ou impedimentos para ser derramado sobre nós, assim como o seu perdão.

Não existe última vez quando a questão envolve o amor e o perdão de Deus. E para ser alcançado por Ele eu não preciso fazer nada, pois é através da graça dEle que recebo todas as chances necessárias. Sem gritos ou choros, apenas arrependimento. Isso é suficiente ao homem. É muito estranho falar em chances para minha vida com Deus, principalmente a “última chance”.

O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se”. (II Pedro 3:9)
Em face de minha decisão de ser ortodoxo em minhas análises, sou obrigado a reprovar esta canção, mas reafirmo, praticando o ensino de Paulo quanto à retenção das coisas boas que nos cercam (I Tessalonicenses 5:21), que este refrão é o que falta na maioria de nossas canções e pregações e suas afirmações devem ser tomadas como padrão para nossas vidas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Música: Deus de Promessas (Toque no Altar)


Letra:

Sei que os Teus olhos
Sempre atentos permanecem em mim
E os Teus ouvidos
Estão sensíveis para ouvir meu clamor
Posso até chorar...
Mas a alegria vem de manhã
És Deus de perto e não de longe
Nunca mudastes, Tu és fiel

Deus de aliança, Deus de promessas
Deus que não é homem pra mentir
Tudo pode passar, tudo pode mudar
Mas Tua palavra vai se cumprir

Posso enfrentar o que for
Eu sei quem luta por mim
Seus planos não podem ser frustados
Minha esperança está
Nas mãos do grande Eu sou
Meus olhos vão ver o impossível
Acontecer...


Análise:

À primeira vista, esta música nos parece especial. Linda melodia, várias frases com teor bíblico, mas tudo para por ai.

Numa análise um pouquinho mais densa da letra podemos perceber claramente, mais uma vez, o egocentrismo presente em seu contexto geral. Tudo aqui gira em torno de supostas promessas que devem se cumprir em minha vida, abandonando novamente a adoração em favor da conquista pessoal.

O problema nesse tipo de música não está relacionado no fato de Deus nos abençoar ou não, mas na ênfase no “eu”, no “meu”, quando nosso destaque deveria ser somente Cristo.

Em favor desse egocentrismo, a canção parafraseia alguns textos bíblicos (fora de contexto) e lança algumas falácias comuns no meio gospel com a aparente intenção de agradar o ouvinte (quem não gostaria de ouvir “meus olhos vão ver o impossível acontecer”?).

O intento de falar coisas agradáveis é tamanho que o autor resolve afirmar fatos inverídicos, em desarmonia com o que o próprio Deus outrora havia dito. Considere a frase:

“És Deus de perto e não de longe”
Analise-a de acordo com o seguinte texto bíblico:
“Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e não também Deus de longe”? (Jeremias 23.23)
Concorda que ambos estão em desacordo? Note este outro texto bíblico:

"Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito." (Isaias 57:15)

Isaías nos esclarece este conceito. Deus habita no Reino dos céus, mas também no coração do homem sincero em amá-lo. É Deus de perto, o Deus conosco, Emanuel, e é Deus de longe também, o Criador, Rei dos reis, sobre quem repousa toda a Glória, Honra e Poder.

Repito o que afirmei em outras oportunidades: precisamos de músicas, pregações e de uma vida inteira direcionada pela Palavra de Deus e em total harmonia com ela, o que estiver fora disso deve ser lançado fora.


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